do tratado da reforma da inteligência

"tudo o que acontece na vida ordinária é vão e fútil ....As coisas que mais frequentemente ocorrem na vida, estimadas como o supremo bem pelos homens, a julgar pelo que eles praticam, reduzem-se, efetivamente, a estas três, a saber, a riqueza, as honras e o prazer dos sentidos. Com estas três coisas a mente se distrai de tal maneira que muito pouco pode cogitar de qualquer outro bem. ... Assim, parecia claro que todos esses males provinham disto – que toda felicidade ou infelicidade reside numa só coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual nos prendemos pelo amor. De fato, nunca surgem disputas por coisas que não se ama; nem há qualquer tristeza se as perdemos; nem inveja, se outros a possuem;nenhum ódio e, para dizer tudo numa palavra, nenhuma pertubação da alma (animus). Ao contrário, tudo isso acontece quando amamos coisas que podem perecer, como são aquelas que acabamos de falar. Mas o amor das coisas eternas e infinitas nutre a alma de puro gozo, isento de qualquer tristeza..."

domingo, 25 de abril de 2010

Ser – um tantinho de Carlos Drummond de Andrade



 

O filho que não fiz

hoje seria homem.

Ele corre na brisa,

sem carne, sem nome.


 

Às vezes o encontro

num encontro de nuvem.

Apóia em meu ombro

Seu ombro nenhum.


 

Interrogo meu filho,

objeto de ar:

em que gruta ou concha

quedas abstrato?


 

Lá onde eu jazia,

responde-me o hálito

não me percebeste,

contudo chamava-te


 

como ainda te chamo

(além, além do amor)

onde nada, tudo

aspira a criar-se.


 

O filho que não fiz

faz-se por si mesmo.

Um comentário:

  1. ler Drummond sempre é bom.
    o blog todo ta de parabéns! um abraço Jaime!

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