do tratado da reforma da inteligência
"tudo o que acontece na vida ordinária é vão e fútil ....As coisas que mais frequentemente ocorrem na vida, estimadas como o supremo bem pelos homens, a julgar pelo que eles praticam, reduzem-se, efetivamente, a estas três, a saber, a riqueza, as honras e o prazer dos sentidos. Com estas três coisas a mente se distrai de tal maneira que muito pouco pode cogitar de qualquer outro bem. ... Assim, parecia claro que todos esses males provinham disto – que toda felicidade ou infelicidade reside numa só coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual nos prendemos pelo amor. De fato, nunca surgem disputas por coisas que não se ama; nem há qualquer tristeza se as perdemos; nem inveja, se outros a possuem;nenhum ódio e, para dizer tudo numa palavra, nenhuma pertubação da alma (animus). Ao contrário, tudo isso acontece quando amamos coisas que podem perecer, como são aquelas que acabamos de falar. Mas o amor das coisas eternas e infinitas nutre a alma de puro gozo, isento de qualquer tristeza..."
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
bouvard e pécouchet nº 1
na página do livro
"não queriam vizinhos, mas receavam a solidão"
a minha frente um preto mínimo
mais preto que o asfalto posposto
requeria a minha atenção
pedacinhos de luz reflexa o circundavam
stellarium
a rua não sugeria travessia
apenas dava-se ao olhar
e eu que cheguei a acalentar a idéia de verificar aquele mínimo
com todas as tampas interpostas
o grande cinza a estacionar
depois
o vidro da porta se fechando
logo em seguida
os padrões do pano posto à porta
para que os olhares de fora não pudessem entrar
e então
eu pra casa
sozinho
vizinho de tudo o que poderia ser
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
pronto
desencontrado da minha atenção
junto meio-fio da parada de ônibus
verde ramo da verdade
furtivo
escapa
por entre frestas
de calçamento
gramínea
em substância
insubstancia-se
em flerte com meus olhos
que agora te querem
te querem bem
somente
e te desejam
até o dia
que não se escapa
feito
insubstanciação final
eu, você e todos nós (p/ miranda july)
o
da
ao
e o peixinho esquecido
há de
o
aguarda
e
o
do
a produtora
havia
[
azuis
e
restava
a
e convertera-se
apavorava
produzia
no
esquecido





