do tratado da reforma da inteligência

"tudo o que acontece na vida ordinária é vão e fútil ....As coisas que mais frequentemente ocorrem na vida, estimadas como o supremo bem pelos homens, a julgar pelo que eles praticam, reduzem-se, efetivamente, a estas três, a saber, a riqueza, as honras e o prazer dos sentidos. Com estas três coisas a mente se distrai de tal maneira que muito pouco pode cogitar de qualquer outro bem. ... Assim, parecia claro que todos esses males provinham disto – que toda felicidade ou infelicidade reside numa só coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual nos prendemos pelo amor. De fato, nunca surgem disputas por coisas que não se ama; nem há qualquer tristeza se as perdemos; nem inveja, se outros a possuem;nenhum ódio e, para dizer tudo numa palavra, nenhuma pertubação da alma (animus). Ao contrário, tudo isso acontece quando amamos coisas que podem perecer, como são aquelas que acabamos de falar. Mas o amor das coisas eternas e infinitas nutre a alma de puro gozo, isento de qualquer tristeza..."

terça-feira, 4 de agosto de 2009

considerações ligeiras sobre o tempo e a palavra




hoje estive na palavraria
e dei de olhos na marília de dirceu
do gonzaga
me enterneci com a pequenez
da edição de bolso, compacta, da L&PM
abri o livro
e de um sopetão acabei por ler as 9 primeiras liras

novamente me enterneci
vendo gonzaga a demonstrar a marília que o amor é natural
e que tudo na natureza ama
portanto ela não poderia ir contra a natureza
devendo se entregar ao amor
ouçam contudo como o diz a ela

"Em torno das castas pombas,
Não rulam ternos pombinhos?
E rulam, Marília, em vão?
Não se afagam com os biquinhos?
E a provas de mais ternura
Não os arrasta a paixão?
Todos amam: só Marília
Desta Lei da Natureza
Queria ter isenção? "

Como não amar estas singelas palavras
que cantam a necessidade de um amor feito também em nossos sentidos
mas sem a necessidade de se dar à derrama
mas todo entregue à sugestão

outra pequena lição
vem destes versos da lira II:

"Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim."

ou nestes da lira IX:

"As abelhas, nas asas suspendidas,
Tiram, Marília, os sucos saborosos
Das orvalhadas flores:
Pendentes dos teus beiços graciosos
Ambrósias chupam, chupam mil feitiços
Nunca fartos Amores."


me restou a questão
quem faria hoje versos a sua amada?
depois; quem cantaria os beiços de sua amada,
sem se entregar a ironia tão pós tudo que vivemos?
por último; o que é o nosso ouvido, o nosso gosto,
ele é realmente nosso
ou tão somente filho da contextura que nos sitia?






trevo de 4 folhas

http://www.youtube.com/watch?v=gypZgHnWRM0



odeon

http://www.youtube.com/watch?v=i6UPYdiuDTc


quarta-feira, 8 de julho de 2009


ontem fui ao cinema, fui ver um bom filme

chorei bastante

muitas lágrimas pela dor de alguém

que sequer existe

alguém triste muito triste

mas que diabo é isso então?

se as lágrimas choram o que não é verdade

de que servem?

senão para umedecer a conjuntiva

e se esquecer de quem se é



o pai tinha uma pedra na mão

o filho nada sabia do pai

agora o pai estava morto

bem morto

esperando ser juntado do chão

e levado

para o esquife

juntado do chão e resgatado

da sua mudez pela mudez da pedra

que tudo

e bem mais que tudo

disse.


domingo, 5 de julho de 2009

o sarau - desculpe a interpretação


http://www.youtube.com/watch?v=LEPQYKQlJTE




http://www.youtube.com/watch?v=F4_6OGESDCg




http://www.youtube.com/watch?v=a4eLIsitLBE

quinta-feira, 11 de junho de 2009

http://www.dailymotion.com/video/x7kpzt_maria-bethania-o-doce-misterioda-vi_music

quarta-feira, 13 de maio de 2009



no início, uma dor agulhada
fincando a boca do estômago
e logo, dezenas de agulhas se multiplicando
a respiração cortada
o suor frio
as mãos tremendo
e o gosto ácido rondando a garganta
a normalidade das funções
tentando reter a golfada revolta e insistente
na ânsia do entornar
e que se lança, entretanto
fétida, descontrolada e suicida
boca afora

o limiar entre o que sacia
e o que envenena:
um defeito na pureza

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

poemas em imagens




Uma leitura visual de poemas é a proposta da exposição Poemas Gravados, que será aberto às 19h de hoje na Palavraria Livraria e Café (Vasco da Gama, 165). A mostra é o resultado da leitura feita por 12 artistas de poemas de 12 poetas gaúchos e está compilada em uma coletânea de estampas de mesmo nome que estará à venda na livraria ao preço de R$ 15. A tiragem é limitada. O Poemas Gravados foi organizado pela artista plástica Anico Herskovits e pelo poeta Sidnei Schneider, e cada poema recebeu uma interpretação livre de um artista (na foto, Miriam Tolpolar lê versos de Jaime Medeiros Jr.). A mostra vai até 6 de fevereiro, com entrada franca, de segunda a sábado, das 11h às 21h.