do tratado da reforma da inteligência

"tudo o que acontece na vida ordinária é vão e fútil ....As coisas que mais frequentemente ocorrem na vida, estimadas como o supremo bem pelos homens, a julgar pelo que eles praticam, reduzem-se, efetivamente, a estas três, a saber, a riqueza, as honras e o prazer dos sentidos. Com estas três coisas a mente se distrai de tal maneira que muito pouco pode cogitar de qualquer outro bem. ... Assim, parecia claro que todos esses males provinham disto – que toda felicidade ou infelicidade reside numa só coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual nos prendemos pelo amor. De fato, nunca surgem disputas por coisas que não se ama; nem há qualquer tristeza se as perdemos; nem inveja, se outros a possuem;nenhum ódio e, para dizer tudo numa palavra, nenhuma pertubação da alma (animus). Ao contrário, tudo isso acontece quando amamos coisas que podem perecer, como são aquelas que acabamos de falar. Mas o amor das coisas eternas e infinitas nutre a alma de puro gozo, isento de qualquer tristeza..."

quinta-feira, 20 de março de 2008

takai


quando te vejo

suave arquitetura

serena arquiternura da canção

nada sobra

tudo visa

revelação

quando te vejo

sinto

meio que pra sempre

algo em mim se suaviza

e assim feito brisa

me usa


domingo, 9 de março de 2008


flor contente de ser

flor

gérbera

esfria-se

ante os olhos do mês de março

segunda-feira, 3 de março de 2008


café

e chuva

não me fazem mais triste do que sou

não espero mais por ti

nem sei se virás

quando amenizar a chuva

deixarei o café

e esquecerei de te esquecer

domingo, 24 de fevereiro de 2008


fiel às filigranas de espanto

que recolho

decolo parto

abro o olho

te vejo

nos teus olhos

escolho um pouco de tudo

também

um pouquinho do que sou

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

sépía nº 7 - a última


porta

basculante

samambaia e bica



margens guarnecidas



contêm

dão

não retêm

nada

do que

sempre

há de ser


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

sépia nº6


teus olhos escuros

claros de tanto ser

de tudo

nada querem esquecer

ainda

não sabem da saudade

e do saber confuso

que se acha nas coisas

que irão morrer

sábado, 2 de fevereiro de 2008

sépia nº5

flora florinha

meu amor

teu sorriso contente

se me des-mancha

não te sei

mas te compreendo

pequenina flor


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

sépia nº4


e a tesoura esqueceu a cabeça

contudo ainda deixou algo de sorriso em flor

agora

isso já não importa não

o que importa mesmo

é a mão que afaga

e a porta

que a mestra porta

bem lá pro fundo

do teu coração


sépia nº3


um dois três

eu quero

quatro cinco seis

não quero

com tanta querelança

onde me seguro ?

diz rafaela

pequeno sol escuro

com esse seu mirar

que já não tarda

a se apartar


sépia nº2


por trás do vazado

escondeste um olhar

mas ainda

é cedo

cedo demais

para acordar

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

sépia nº1


[ontem

num bar da cidade

comprei a imagem (3 reais)

hoje

fez-se versos]



três fileiras de olhares de frente pra vida

momento zero

a espera de tudo

e

tudo

ainda

por acon-

tecer


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

e desse precipitado de conjecturas

e do desejo de ser feliz

o que fazer

senão calar angústias

e fingir que não se sabe amar



no olhinho

quase morto do peixe

serenas sirenes de angústia

fome e prece

a tudo apegam-se

com tenção de ser



sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

coisas que perdemos no caminho



o silêncio a tua luz apaga

mesmo assim

boa contente e vaga

fluorreminiscência de ti

pra sempre

se me acenderá