do tratado da reforma da inteligência
"tudo o que acontece na vida ordinária é vão e fútil ....As coisas que mais frequentemente ocorrem na vida, estimadas como o supremo bem pelos homens, a julgar pelo que eles praticam, reduzem-se, efetivamente, a estas três, a saber, a riqueza, as honras e o prazer dos sentidos. Com estas três coisas a mente se distrai de tal maneira que muito pouco pode cogitar de qualquer outro bem. ... Assim, parecia claro que todos esses males provinham disto – que toda felicidade ou infelicidade reside numa só coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual nos prendemos pelo amor. De fato, nunca surgem disputas por coisas que não se ama; nem há qualquer tristeza se as perdemos; nem inveja, se outros a possuem;nenhum ódio e, para dizer tudo numa palavra, nenhuma pertubação da alma (animus). Ao contrário, tudo isso acontece quando amamos coisas que podem perecer, como são aquelas que acabamos de falar. Mas o amor das coisas eternas e infinitas nutre a alma de puro gozo, isento de qualquer tristeza..."
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
sépia nº6
teus olhos escuros
claros de tanto ser
de tudo
nada querem esquecer
ainda
não sabem da saudade
e do saber confuso
que se acha nas coisas
que irão morrer
sábado, 2 de fevereiro de 2008
sépia nº5
flora florinha
meu amor
teu sorriso contente
se me des-mancha
não te sei
mas te compreendo
pequenina flor
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
sépia nº4
e a tesoura esqueceu a cabeça
contudo ainda deixou algo de sorriso em flor
agora
isso já não importa não
o que importa mesmo
é a mão que afaga
e a porta
que a mestra porta
bem lá pro fundo
do teu coração
sépia nº3
um dois três
eu quero
quatro cinco seis
não quero
com tanta querelança
onde me seguro ?
diz rafaela
pequeno sol escuro
com esse seu mirar
que já não tarda
a se apartar
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
sépia nº1
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
coisas que perdemos no caminho
o silêncio a tua luz apaga
mesmo assim
boa contente e vaga
fluorreminiscência de ti
pra sempre
se me acenderá
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
bouvard e pécouchet nº 1
na página do livro
"não queriam vizinhos, mas receavam a solidão"
a minha frente um preto mínimo
mais preto que o asfalto posposto
requeria a minha atenção
pedacinhos de luz reflexa o circundavam
stellarium
a rua não sugeria travessia
apenas dava-se ao olhar
e eu que cheguei a acalentar a idéia de verificar aquele mínimo
com todas as tampas interpostas
o grande cinza a estacionar
depois
o vidro da porta se fechando
logo em seguida
os padrões do pano posto à porta
para que os olhares de fora não pudessem entrar
e então
eu pra casa
sozinho
vizinho de tudo o que poderia ser
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
pronto
desencontrado da minha atenção
junto meio-fio da parada de ônibus
verde ramo da verdade
furtivo
escapa
por entre frestas
de calçamento
gramínea
em substância
insubstancia-se
em flerte com meus olhos
que agora te querem
te querem bem
somente
e te desejam
até o dia
que não se escapa
feito
insubstanciação final
eu, você e todos nós (p/ miranda july)
o
da
ao
e o peixinho esquecido
há de
o
aguarda
e





